Todo dia ela faz tudo sempre igual - parte II

sexta-feira, março 17, 2006

Todos os dias eu brigo com o Vítor pra almoçar, pra colocar o uniforme e pra ir para a escola.

Todos os dias eu acesso o site da Catho e mando meu currículo pra todas as vagas de jornalismo, assistente administrativo, secretária e recepcionista que eu acho.

Todos os dias eu abro minhas caixas postais esperando uma resposta.

Todos os dias eu recebo os mesmos e-mails: correntes, informativos, arquivos pps com mensagens "lindas", avisos sobre o preço da gasolina, mudanças de telefone e endereço, entradas e saídas do orkut, mensagens "importantes" sobre vírus "destruidores"...

Eu vou sempre aos mesmos 2 bares (as vezes 3), ao mesmo shopping, às mesmas salas de cinema (pelo menos os filmes são diferentes), lancho nos mesmos lugares e pego filmes na mesma locadora.

Todos os dias eu dou banho no Vítor (2 ou 3), faço mingau, dou lanche, coloco pra dormir.

Todos os dias eu vejo praticamente os mesmos seriados e durmo à mesma hora.

Antigamente eu sabia a hora que eu acordava, mas nunca sabia a que hora iria dormir. Eu podia estar em Brasília ou em algum lugar do interior acompanhando uma invasão dos sem-terra. Eu podia ficar na assessoria ou visitando a nova usina hidrelétrica. Eu podia ficar no escritório ou cobrir a coletiva do ministro da educação. Eu podia ficar na matriz ou estar planejando o próximo jornal, festa de aniversariantes do mês ou o jornal mural da semana.

Antigamente eu ia sempre ao mesmo bar, encontrava as mesmas pessoas e ouvia as mesmas músicas. Mas todos os dias eu conhecia novas pessoas, conversava sobre assuntos diferentes e tinha uma novidade para ouvir ou para contar. E sempre terminávamos a noite em algum outro barzinho, tomando a "saideira".

Antigamente eu sabia onde estaria no fim de semana: dentro de um barco. As vezes passeando por lugares já conhecidos, as vezes conhecendo novos cantinhos, as vezes correndo regatas. As vezes com o Vítor, as vezes com saudade dele.

Antigamente eu poderia ser surpreendida por um buquê de flores no meio do dia ou por um cartão virtual.

Se ao menos isso fosse surpreendente, eu mandaria flores para mim mesma...

2 comentários:

Márcia disse...

Das coisas boas que perdemos a gente sente uma saudade dolorosa, né?! Mais do que nunca é importante continuar no desafio de superar essas dificuldades que estão te testando, e valorizar coisas que não tem preço: seu filho, sua família, saúde, sua formação profissional, etc.
Gostei de saber q seu c.v. tá na Catho!

Márcia disse...

Eu fechei várias seleções pela Catho recentemente (adm.,informática,sec.executiva, etc). Se quiser q eu revise seu c.v ou ensaiemos uma entrevista é só me chamar. Não tenho seu fone nem email. Faça contato, vai!