Três visões de um mesmo fato (ou gato)

quinta-feira, junho 22, 2006

Cena 1:

Sofá da sala, ela sentada, fazendo as unhas. Quase meia-noite, a televisão ligada, um gato miando do lado de fora do apartamento, os outros moradores da casa espalhados, cada um no seu canto. Ela lembra que há dias ninguém abre a caixa do correio e resolve ir ver se o livro que encomendou já chegou. Abre a porta, sai. Não fecha, vai ser rápido. Na escada encontra com o autor dos miados: um gatinho perdido. Pensa: tadinho, ele está preso e não consegue sair. Chega perto e ele foge, descendo as escadas e batendo de cara no vidro da portaria. Ela tenta se aproximar, mas ele foge para o lado contrário. Ela abre a portaria, esperando que ele queira sair, mas nada acontece. Ela está cansada, já é tarde e ela desiste. Abre a caixa do correio, pega as correspondências e começa a subir as escadas. Pensa: cadê o gato?? Com certeza ele subiu as escadas. Como um raio, um pensamento passa pela cabeça dela: a porta aberta!! Tenta ser positiva: não, claro que ele subiu para o segundo andar, não tem porque ele entrar justo na miinha casa!!

Sobe os degraus que restam, abre a porta e... claro, ele está lá, parado no meio da sala. Tenta chamá-lo, mas ele simplesmente a ignora. Ela tenta se aproximar e ele pula na cadeira do computador e em cima da impressora. A tampa abre e derruba o porta lápis, fazendo um barulhão imenso!! Ele se assusta e pula na cadeira de lona e se prepara para pular no aparelho de som, com as garrinhas para fora. Ela grita, sem pensar: não, não!!! Claro que ele pula assim mesmo e, em seguida, crava as garras na cortina.

Desnecessário dizer que, neste momento, aparecem todos os demais moradores da casa, não é? O pai, enrolado na toalha, saído do banho. A mãe, que via novela. A irmã, que já tinha ido dormir. De repente alguém lembra: esta aí não é a gata do vizinho? É mesmo, é ela! Um abre a janela, outro vai tocar a campainha do vizinho, pedir ajuda. A gata volta pra casa dela pela janela e sobram boas risadas.

Cena 2:

Ele estava conversando com a filha na sala, enquanto ela fazia as unhas. Levanta-se e vai tomar banho. Quando está quase terminando, ouve um barulho de coisas caindo. Pensa: ela derrubou todos os esmaltes e apetrechos da cesta... Mas fica atento, o barulho não parece exatamente isso. De repente, a ouve dizer: não, não!!! Se enrola na toalha, meio que sem se enxugar e sai correndo pra sala, descobrir o que está acontecendo! Quando termina de passar pelo corredor, a cena: coisas espalhadas pelo chão, impressora aberta, e um gato pendurado na cortina. A filha tentando pegar o bichano, mas sem conseguir.

Desnecessário dizer que, neste momento, aparecem todos os demais moradores da casa, não é? A esposa, que via novela. A outra filha, que já tinha ido dormir. De repente alguém lembra: esta aí não é a gata do vizinho? É mesmo, é ela! Um abre a janela, outro vai tocar a campainha do vizinho, pedir ajuda. A gata volta pra casa dela pela janela e sobram boas risadas.

Cena 3:

Ela está deitada na cama, de pijama, vendo novela. O dia foi cansativo, estes são seus momentos de descanso. Na última vez que passou pela sala a filha estava fazendo as unhas e o marido, lendo revista e os dois conversavam. De repente ouve um barulhinho e pensa: os dois já estão discutindo de novo. E então ela ouve um barulho maior, de coisas caindo e fica preocupada. Quando ouve a filha dizer "não, não!!" é a gota d´água!! Pensa que aí já é demais e corre pra sala, ver o que está acontecendo.

Dá de cara com o marido enrolado em uma toalha, sem se enxugar e com a outra filha com cara de sono. A sala está um caos: coisas espalhadas pelo chão, impressora aberta, e um gato pendurado na cortina. A filha tentando pegar o bichano, mas sem conseguir.

De repente alguém lembra: esta aí não é a gata do vizinho? É mesmo, é ela! Um abre a janela, outro vai tocar a campainha do vizinho, pedir ajuda. A gata volta pra casa dela pela janela e sobram boas risadas.

4 comentários:

Amorosa disse...

Cena 4: alguém lendo este conto pensando "e a cortina?! e a cortina?! rasgou? manda a conta por vizinho fidumaégua que esqueceu o gato fora?!"
kakakakaka!

Senhora D. disse...

quá quá quá. Menina, que texto hilário, parece crônica do Veríssimo. Beijos...

Rafael disse...

o bicho e quase o fernandinho beira mar, fugitivo...

ci disse...

Oi Tatiana, sou amiga da Dai e nos conhecemos na UFRN, não sei se vc lembra de mim. Ela me disse q esse blog é o teu, coloquei nos meus links, ok? Adorei as três visões do mesmo fato, só faltou a do gato. rsrsrs. bjos.