De perto, ninguém é normal

quinta-feira, maio 26, 2005

De perto, ninguém é normal

Uma vez, minha irmã disse a uma amiga que ela era um "pára-raios de malandros". A expressão foi utilizada porque a menina só ficava ou namorava com caras que não prestavam e sempre faziam alguma cachorrada. Durante algum tempo eu fiquei a me perguntar se eu não era uma espécie de pára-raios de "homens-problema". E pensei mais nisso depois que minha amiga Ana me disse que eu devo gostar de sofrer.

Depois, passei um tempo me dedicando a pensar sobre isto. E cheguei a uma conclusão interessante. Não sou eu que atraio "homens-problema". Na verdade, eles não são exatamente "homens-problema". A realidade é que, de perto, ninguém é normal. Eu não sou, você não é, ele não é. Basta lembrar daquele advogado lindo que você conheceu na balada outro dia. Independente, bem sucedido profissionalmente, bom papo, etc. Aí vocês começam a se conhecer melhor e você descobre que ele mora sozinho há mais de 20 anos e que, freqüentemente, têm crises de depressão. Que é cheio de manias e que, no fundo, no fundo, acata tudo o que a mãe diz.

E aquela analista de sistemas que você conheceu naquele barzinho em que foi com os amigos? Bonita, inteligente e auto-suficiente. Nos dias em que se seguiram você foi descobrindo que toda aquela auto-suficiência era, na verdade, um modo de encobrir uma grande insegurança da parte dela. E que ela, inconscientemente, utiliza a tática de que a melhor defesa é o ataque.
Não estou querendo dizer que todas as pessoas do mundo são malucas ou psicóticas ou que todas elas escondem um lado negro. Só estou dizendo que todas têm seus problemas e que, até mesmo aquela pessoa que você considera maravilhosa, vai ter seus baixos. Isso é natural.

E, voltando à minha conclusão, percebi que o que acontece comigo é que não me deixo intimidar por estes problemas. Ele mora longe? A gente conversa e determina quem liga qual dia, quem vai para qual cidade em tal intervalo de tempo. Ele é muito apegado à família? Vamos dividir o tempo, para que uma coisa não interfira na outra e também programar algumas coisas que juntem os dois lados.

É claro que não é simples assim. E é claro também que nem todos os problemas são superáveis. Mas quando há uma disposição dos dois lados e uma vontade mútua de ficar junto, vale a pena enfrentar estas dificuldades. Afinal, eu também tenho os meus. Você não tem?

1 comentários:

Amorosa disse...

Sim, e como...ai, ai.
Tem gente que se camufla e é tão difícil interpretá-las, mesmo ao longo do tempo, de muita observação, sem contar como os homens geralmente são fechados.
É o clássico "ruim com eles, pior sem eles."