quinta-feira, outubro 20, 2005

É engraçado reparar como as pessoas querem dos outros o que não conseguem nem de si mesmas. Um bom exemplo é quando querem que você seja forte o tempo todo. Ninguém é forte o tempo todo! Além disso, há uma grande diferença entre ficar enfiado em um quarto, deprimido e sem querer sair e sentir-se frágil de vez em quando, chorar e ficar chateado por conta de um problema.
Houve um tempo em que eu achava que podia ser a "Mulher Maravilha". Trabalhava em 4 empregos: trabalhava em uma empresa de transporte aéreo de manhã e em uma agência de notícias de tarde, de segunda a sexta. Nos sábados e domingos de manhã eu dava aula de iatismo para crianças e de tarde dava aula para adultos. Além disso, estudava à noite. Aguentei 6 meses. Um belo dia tive um ataque e larguei tudo. Fui embora pra Pernambuco participar da Regata Recife-Fernando de Noronha, depois fui para Salvador e depois para o Rio. Aí voltei renovada, mas nunca mais fiz isso novamente.
Sempre me considerei uma pessoa forte, as vezes até quando eu não queria ser. Mas também sempre me permiti ter meus momentos de tristeza, de chororô. Nem sempre foi por ter consciência de que é preciso desabafar, mas porque se eu não fizesse isso, enlouqueceria. Era como se aquilo fosse crescendo dentre de mim de tal modo, que chegava um momento em que eu me sentia como se fosse estourar. Nesta horas, eu me enfiava no quarto e me permitia ter algumas horas de depressão. Depois, era como se eu estivesse pronta para começar tudo novamente. E passei por tantos momentos difíceis, que esses momentos é que me fizeram ter forças para seguir em frente, como em minha gravidez por exemplo.
Em alguns relacionamentos, fiquei impressionada em ver como os namorados - que me conheceram como uma "mulher forte" - se transformavam ao me ver em um dia frágil. E não era exatamente uma transformação positiva: era como se fosse um absurdo eu ser capaz de chorar! Não preciso nem dizer que estes relacionamentos não foram muito adiante, preciso? Se você está com uma pessoa e está apaixonada, não deveria ser necessário manter as máscaras que utilizamos no dia a dia. Costumo dizer que é preciso despir a armadura de vez em quando. Se a pessoa que está ao seu lado não consegue compreender isto, talvez ela não seja a pessoa certa para ocupar este lugar.
"Na primeira vez em que ela chorou perto dele, ela tentou disfarçar. Deitados lado a lado, na penumbra, ela deixava que as lágrimas caissem silenciosamente, sem fazer alarde. Mesmo assim, ele percebeu e a abraçou mais forte. Então, tudo aconteceu como em uma enxurrada. De repente, ela estava contando tudo o que a incomodava e a magoava, tudo que estava fazendo pressão em seu coração e que estava impulsionando as lágrimas a cair. Contou coisas que nunca havia contado a ninguém e chorou como nunca havia chorado na frente de ninguém. Ele não falou nenhuma palavra até que ela terminasse tudo. Apenas acariciava seus cabelos com ternura. E então, quando ela finalmente parou, ele virou para ela e disse: 'Não se preocupe, você não está mais sozinha. Nunca mais'. E ela soube que finalmente havia encontrado o seu lugar..."

3 comentários:

Dai disse...

Chorar e sofrer faz parte da vida. É isso o que torna as pessoas mais fortes, maduras, conscientes: assumir os próprios sentimentos. Li uma entrevista de um psiquiatra que condenava veementemente o uso de anti-depressivos, pois considerava que eles bloqueavam a criatividade, o amadurecimento: "a dor é necessária", dizia ele. Eu concordo. Além do quê, sou uma chorona profissional, mas nunca me senti fraca por isso. Um beijão!

Thaty disse...

É Dai, concordo com você e também acredito que a dor é necessária. Todas as vezes em que sofri, cresci. Apenas acho que muitos não conseguem distinguir o bom do mau sofrer. É necessário deixar fluir o que está te sufocando, mas sem deixar que isto tome toda a sua vida e te impeça de prosseguir.

E me lembro bem da sua carreira de chorona profissional...rs Acho que meus casacos também! Beijos

Amorosa disse...

Tudo tem seu tempo: de chorar, de sorrir, de sofrer, de quebrar a cara, de dar o troco com estilo, enfim.
"vivendo e aprendendo a jogar, nem sempre ganhando nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar...
Elis