"Mar Adentro" e minhas reflexões

sábado, novembro 12, 2005


Hoje assisti (finalmente) o filme "Mar Adentro". O filme conta a história (real) de um homem que está tetraplégico há 26 anos, após um acidente em que quebrou o pescoço. Ele luta na justiça espanhola para ter direito à eutanásia, já que não pode fazer isto sozinho e qualquer pessoa que o ajude seria acusado de homicídio.

Mas o filme é muito mais do que só isso. Ele nos faz pensar em milhões de outras coisas. Como no dilema da família, que ama Rámon, mas que precisa entender seu desejo de não continuar mais a viver. Eles o amam verdadeiramente e não querem sua ausência. Mas Rámon já não consegue suportar o peso de sua vida, já que perdeu o controle de seus movimentos no auge de sua juventude, quando tinha o mundo ao seu alcance. E ele resume tudo isso muito bem quando diz que "viver deve ser um direito, não uma obrigação".

Ou na magnitude do amor, quando Rámon diz que a pessoa que o amar verdadeiramente não deve querer que ele viva por ela, mas sim ajudá-lo a morrer. Respeitar a vontade do outro, entender os sentimentos dos outros, mesmo quando não concordamos com eles... coisas tão difíceis mesmo em situações muito mais simples. Isso também pode ser visto na discussão com o padre católico tetraplégico, que não consegue colocar-se no lugar de Rámon e vê as coisas somente por sua ótica.

Minhas convicções religiosas e filosóficas não me permitem concordar com as idéias de Rámon. Mas confesso que falar é muito fácil quando se tem um corpo perfeito, com pleno controle de todos os seus movimentos. Mesmo assim, compreendo perfeitamente sua vontade. Na verdade, o que me impressionou no filme foi ver que os assuntos abordados muitas vezes aplicam-se à nossa vida comum também, como citei no parágrafo acima. A incapacidade de enxergar a dimensão da dor alheia, a dificuldade do desapego do amor, a inabilidade de se entender que nem todo mundo reage do mesmo modo às mesmas situações e que nem todos têm força suficiente para enfrentar com sucesso uma provação, todos estes problemas são comuns à vida de todos nós, o tempo todo. Em casos assim, ficam apenas mais evidentes...

1 comentários:

Aninha disse...

Gostei da sua análise sobre o filme... também fiz uma análise, está no post do dia 20 de março de 2005.

Beijos!!!